WeWork: a gigante dos espaços de trabalho chega em Belo Horizonte

WeWork: a gigante dos espaços de trabalho chega em Belo Horizonte

Unidade da WeWork na Savassi, em Belo Horizonte. Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

(Por Paola Carvalho*) – Belo Horizonte acaba de receber a primeira unidade, de pelo menos três previstas, de uma das maiores startups do mundo, avaliada em US$ 45 bilhões. A americana WeWork, fundada em Nova York em 2010, é uma rede de espaço de trabalho. Não estamos falando de capacidade de extração de milhões de toneladas de um recurso natural e nem da fabricação de milhares de unidades de um produto a ser escoado por nossas rodovias. Mas sim de uma organização que promete impactar, culturalmente, muitas das empresas dos setores que mais pesam na balança comercial de Minas Gerais.

Seja uma mesa, um escritório privativo ou uma sede inteira, a WeWork oferece espaços e conexões com 320 mil membros, em 83 cidades, de 24 países. O endereço por aqui fica na rua Sergipe, 1.440, Savassi. A primeira fase de abertura, com capacidade para 200 posições de trabalho (chegará a 850 até fevereiro de 2019), foi inaugurada na última quinta-feira, com 100% de ocupação. “De um lado, temos em BH empresas tradicionais em processo de transformação digital. De outro, startups de base tecnológica em acelerada expansão. A WeWork coloca os dois para compartilhar o mesmo espaço”, afirmou o líder das operações da WeWork no Brasil, o belo-horizontino Lucas Mendes.

Mineração

Entre os principais diferenciais apresentados ao cliente estão internet de alta velocidade, café e chope à vontade, limpeza, recepção e segurança 24 horas – o que já atraiu de advogados à startup que desenvolve projetos para a indústria aeroespacial. Mais do que isso. Lançou, dentro WeWork Labs, programa global de iniciativo a startups, o primeiro hub de inovação para o setor de mineração. O Mining Hub reúne, no mesmo ambiente, 12 mineradoras concorrentes, que decidiram buscar juntas soluções para problemas comuns, além de fornecedores e outros integrantes da cadeia. Fato inédito no mundo.

O laboratório ocupará todo um andar do edifício, dos seis destinados exclusivamente ao WeWork. “Será um espaço focado em inovação aberta para trabalhar de forma colaborativa e não competitiva”, disse o gerente de gestão, estratégia e inovação da mineradora Ferrous, Gustavo Roque. Ele dividirá o ambiente com representantes da Anglo American, AngloGold Ashanti, ArcelorMittal, CBMM, CSN, Gerdau, Kinross, Nexa, Samarco, Usiminas e Vale, que juntas representam 150 mil funcionários e faturam R$ 120 bilhões.

Conexão

“As empresas e startups que ficarão aqui estarão automaticamente expostas a uma nova cultura de trabalho e de negócios. A tecnologia é só um meio para inovar. A inovação começa mesmo na mudança de mindset (mentalidade) das pessoas”, destacou Bruno Scolari, o responsável pelo WeWork Labs em Minas Gerais. Outro ponto interessante é a conexão que pode ser realizada com membros de outras unidades do WeWork, em locais que são polos tecnológicos e também de mineração, a exemplo do Chile, Canadá e Austrália.

Aceleração

O projeto, que conta com o apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), abrange desafios divididos em cinco áreas: segurança operacional e saúde ocupacional, gestão da água, fontes de energia alternativa, eficiência operacional e gestão de resíduos. Durante um ano, empreendedores e startups serão acelerados, com o apoio da Neo Ventures, empresa com histórico em programas de inovação aberta para corporações e na aceleração de startups. O edital para participação será lançado na terça-feira (27/11). Mais informações em mininghub.com.br.

WeWork em números

US$ 45 bilhões representam o seu valor de mercado
320 mil membros, 12 mil no Brasil
335 espaços físicos em 83 cidades e 24 países
12 endereços no Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro e, agora, BH

*Conteúdo da coluna Fora da Caixa, veiculado todo sábado na edição impressa do jornal Estado de Minas. Confira também os canais de vídeopodcast e instagram.

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