Startups x corporações: a consolidação da economia digital

Startups x corporações: a consolidação da economia digital

Foto: Inês Pimentel/Unsplash

(Por Paola Carvalho*) – As corporações tradicionais que ganharam musculatura na era industrial usam hoje de diferentes meios para se aproximarem de startups – empresas embrionárias de base tecnológica e com produto escalável globalmente. Ao mesmo tempo, é possível perceber que startups maduras – o que não tem mais relação com o seu tempo de vida e ampla estrutura física – iniciam o movimento de compra de startups menores. E já há quem diga que chegará o tempo em que, em um movimento inverso, poderão ser as startups a comprarem as corporações ou parte delas.

É interessante observar como 2018 foi intenso para a chamada economia digital e como 2019 vem potencializando avanços em velocidade exponencial – o famoso “tudo está mudando muito rápido”. Foi no ano passado que surgiram os primeiros unicórnios (startups com valor de mercado superior a 1 bilhão de dólares) brasileiros: 99, PagSeguro, Nubank, Stone e iFood. Para 2019, a expectativa é que esse número aumente. Já especulou-se mais um, a Gympass, fundada por mineiros.

Fundo bilionário

Neste mês o grupo japonês Softbank, um dos maiores fundos de investimentos no mundo, declarou seu interesse em investir na América Latina. Anunciou a criação do Innovation Fund, que se tornará o maior fundo de tecnologia focado no continente, com capital de 2 bilhões de dólares. A China também tem evidenciado o seu interesse estratégico no mercado de startups brasileiro. A Didi Chuxing comprou a 99; a Tencent realizou aporte no Nubank.

Impacto local

A Rappi, unicórnio colombiano, chegou ao país também em 2018 e está presente hoje em 15 cidades brasileiras e espera dobrar de tamanho neste ano por aqui. Está na Região Metropolitana de Belo Horizonte e expandirá para Triângulo Mineiro e Zona da Mata. O escritório de engenharia da Google está em Belo Horizonte, outras gigantes da tecnologia estão reforçando a sua presença na capital, como a Oracle e a Hitachi Vantara. Foi criado aqui, ainda no ano passado, o Mining Lab, reunindo 12 mineradoras concorrentes em um só espaço, na WeWork, fato inédito no mundo.

O Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tem deixado legado para a sociedade, seus alunos de alta performance estão assumindo posições estratégias em gigantes da tecnologia. O professor e investidor Nivio Ziviani foi indicado para o Conselho da Petrobras.

Com passos largos, e muitas vezes silenciosos, a economia digital avança sobre aqueles que ainda não têm a convicção de seu poder.

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