Malala: "Educação é o melhor investimento a longo prazo"

Malala: “Educação é o melhor investimento a longo prazo”

(Paola Carvalho*) – “Educação é o melhor investimento a longo prazo. Devemos focar isso”. A afirmação é da ativista paquistanesa Malala, a mais jovem do mundo a receber o Nobel da paz, na segunda-feira (9), em São Paulo, em evento do banco Itaú. O palco onde Malala foi protagonista foi dividido com outras ativistas brasileiras. Entre elas, Ciranda de Morais, fundadora da She’s Tech, movimento iniciado em Belo Horizonte que visa fortalecer a presença feminina no setor da tecnologia.

De quatro perguntas da platéia escolhidas por Malala, um delas foi a de Ciranda. Ela subiu ao palco e apresentou a seguinte questão: “Como ativistas, nós vivemos visualizando um mundo utópico onde as mulheres têm os mesmos direitos dos homens. São vários os desafios e decepções durante essa jornada e ficamos todo o tempo pensando se estamos fazendo o suficiente e gerando real impacto. Como você renova a sua energia todos os dias para acreditar que nós podemos mudar o mundo? O que você diria para a juventude brasileira que hoje está profundamente desapontada com nossos políticos?”

E a resposta de Malala foi…

“Vocês é quem têm o poder! Têm o poder do voto, de eleger as pessoas que vocês acham que representam vocês. E os políticos são produto do seu voto! Esse é um lado. E a gente tem que lembrar os nossos políticos o tempo todo das suas responsabilidades com relação ao povo e que eles têm que ouvir as necessidades das pessoas e sobre o que é preciso fazer em um país. Isso é crucial.

Agora, quanto aos desapontamentos e percepções, quando você tem uma longa jornada, tem grandes sonhos. Exemplo: esperando que um dia você veja 130 milhões de meninas indo à escola e também nenhuma criança sofrendo nenhum tipo de abuso, violência, nenhuma menina se casando antes de 18 anos. Esses são enormes desafios e enormes sonhos porque quando falamos do número de meninas, estamos falando de milhões e milhões. Então isso pode te trazer uma grande decepção porque o desafio é muito grande para todos nós.

O que me inspira, o que me mantém ainda seguindo adiante, é quando eu vejo o que fazem garotas de Nigéria, no Líbano, em campos de refugiados, no Iraque. Eu conheci, por exemplo, uma menina no Iraque que foi forçada a se casar com 14 anos. E no dia do casamento, ela fugiu pra se proteger desse casamento, porque se casasse não poderia continuar a estudar. E mais tarde, quando os extremistas vieram, ela teve que fugir para um abrigo. E continuou a perseguir o seu sonho, sua educação. E as meninas da Nigéria, do Paquistão, da Índia e da América Latina, que, além de serem forçadas a se casar cedo, também são vítimas de violência sexual e outras violências. Essas são as meninas que continuam a lutar. Não perdem as esperanças. Elas continuam a lutar! Porque nós deveríamos perder as nossas esperanças?

Elas continuam lutando. E daí que eu busco toda a minha energia. Se você olhar nossa história, há 100 anos, as mulheres não podiam votar, não podiam ser primeiras-ministras, não podiam fazer alguns trabalhos, elas eram obrigadas a ficar em casa. Mas nós já vimos progressos, já vimos realizações e isso é uma coisa positiva. Um dia haverá educação para todas as meninas, igualdade das mulheres, em todos os cantos do mundo.”

Assista a um trecho do evento abaixo:

*Conteúdo da coluna Fora da Caixa, veiculado todo sábado na edição impressa do jornal Estado de Minas. Confira também os canais de vídeo, podcast e instagram.

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