Hakkuna: produção de insetos para alimentação

Hakkuna: produção de insetos para alimentação

(Por Paola Carvalho*) – Pelo terceiro ano consecutivo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) registrou um aumento no número de pessoas passando fome no mundo: subiu de 815 milhões de indivíduos, em 2016, para quase 821 milhões em 2017. Conforme o levantamento da agência da ONU, América Latina e Caribe acompanham a tendência global — na região, 39,3 milhões de pessoas vivem subalimentadas, aumento de 400 mil. Se uma em cada nove pessoas no planeta é vítima da fome, segundo o relatório, como resolver o problema, ou parte dele? Sim, insetos.

A resposta é do engenheiro Luiz Filipe Carvalho, CEO da Hakkuna, empresa que aposta no grilo como uma fonte alternativa à produção de proteínas e hoje integrante da GroWbio, aceleradora da Biominas Brasil, uma instituição especializada em soluções para negócios em ciências da vida. Ele mostrou a tendência crescente do consumo de insetos comestíveis no ocidente, em palestra no evento Futuro da Comida, realizado nesta semana pela SingularityU Belo Horizonte Chapter, representante na capital mineira da universidade apoiada pela NASA e Google, com sede no Vale do Silício (EUA).

Segundo Luiz Filipe, nos Estados Unidos, o mercado para farinha de grilos tem dobrado de tamanho a cada ano, desde 2010. Um estudo feito pela consultoria Arcluster, em 2016, projetou que o mercado global de insetos comestíveis será de 1,53 bilhão de dólares até 2021, com crescimento de 30 vezes para produtos processados, como barras de proteínas. “Com o câmbio como está, conseguimos produzir a um custo quatro vezes menor do que no exterior”. Por isso, o foco da Hakkuna é, além de atender o mercado interno, exportar para América do Norte e Europa.

A farinha de grilo – ou barrinhas, cookies, pães, massas – possuem alta qualidade nutritiva. Além disso, conta com uma produção sustentável. Luiz Filipe compara: os grilos produzem 100 vezes menos gases estufa do que bovinos, utilizam 2 mil vezes menos água e demandam bem menos área, podendo ser criados em ambientes urbanos, evitando o desmatamento.

No Brasil, entretanto, ainda não existe um legislação específica para o uso de insetos na alimentação humana.

*Conteúdo da coluna Fora da Caixa, veiculado todo sábado na edição impressa do jornal Estado de Minas. Confira também os canais de vídeopodcast e instagram.

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