Pela humanização da inteligência artificial

Pela humanização da inteligência artificial

Foto: Franck V/ Unsplash

(Por Tiago Machado*) – Quantas vezes um chefe não olhou para o seu funcionário mais talentoso e pensou: “- Se eu tivesse mais um colaborador igual ao Fulano, bateríamos um recorde de vendas”? Mal sabe esse empregador que o seu desejo pode se tornar realidade, por meio de um algoritmo capaz de vasculhar o banco de dados de sua empresa, atrás das características dos profissionais cujo comportamento, técnica, cultura, conduta e performance estão 100% alinhados aos valores da organização.

Essa tecnologia de inteligência artificial para a seleção de talentos tem sido bastante utilizada por multinacionais estrangeiras e, aqui no Brasil, começa a se espalhar por meio do algoritmo Matthew, que funciona por inteligência artificial da startup Rocketmat. Criado por 3 empreendedores mineiros e um norte-americano, os fundadores desta HR Tech são especialistas na área de Recursos Humanos e, para atender aos anseios dos colegas recrutadores, desenvolveram uma tecnologia focada nas competências de quem está dentro da empresa. Seu diferencial é apontar o que os principais talentos da organização têm em comum.

Identificado o perfil do funcionário ideal, isto é, o ponto de equilíbrio entre aqueles que não se pretende contratar e o que a empresa está se buscando, restará ao empregador inserir essas características num software que irá pesquisar, numa pilha de currículos cadastrados, quais deles têm mais chances de vencer aos desafios para aquela vaga. Como o Matthew é capaz de entender a pior e a melhor dessas características, ele age justamente para não criar clones e enviesar a decisão do recrutador.

O ato de juntar a fome de contratar gente talentosa com a vontade de quem quer trabalhar chama-se match. No entanto, vemos que muitas empresas, ávidas pela redução do índice de rotatividade de seus funcionários, investem apenas na agilidade do processo automatizado, esquecendo-se da formatação adequada de qual seria o bechmark.

Em outras palavras, nem sempre os profissionais com passagem por grandes empresas ou faculdades de primeira linha, fluente em vários idiomas, nascidos sob um determinado gênero e em grandes capitais são boas escolhas em um processo de seleção. Atrás de um perfil dito “sofisticado” pode haver alguém que não se adaptará a empresa.

Valorizar o capital humano de uma companhia vai além da análise de competências já conhecidas. É preciso garantir que os processos seletivos conduzidos por máquinas obedeçam não apenas critérios assertivos, mas também garantam condições democráticas, dando oportunidade para todos serem avaliados de maneira equânime.

Ainda que a inteligência artificial facilite o trabalho na área recrutamento e seleção, é preciso que esses robôs também contribuam com a visão social da companhia, intrínseca ao departamento que cuida exatamente dos humanos. A tecnologia não pode, de maneira nenhuma, servir para que reforçar as contrações enviesadas e com preconceitos. Ao contrário, o uso da IA deve contribuir para desmistificar o que hoje é considerado um modelo de profissional e abrir portas aqueles que realmente fazem a diferença para o negócio.

(*) Tiago Machado é especialista em Administração de Empresas com ênfase em Recursos Humanos e um dos sócios-fundadores da Rocketmat.

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