Estudo inédito desvenda a economia criativa em Minas Gerais

Estudo inédito desvenda a economia criativa em Minas Gerais

Foto: Unsplash

(Por Paola Carvalho*) – Cerca de 460 mil pessoas são registradas hoje como trabalhadores da economia criativa no estado, segundo estudo inédito sobre o perfil da economia criativa em Minas Gerais, elaborado entre abril e setembro deste ano pelo Observatório, um núcleo de pesquisa permanente do P7 Criativo, criado por Sebrae, Fiemg e governo de Minas. Equivale a 9,84% das vagas formais do setor no Brasil. É o segundo estado com maior número de empregos, atrás de São Paulo (31,6%) e à frente do Rio de Janeiro (9,5%).

Batizado de Radar, o estudo divulgado hoje (25/10) mostra que, diante do potencial da economia criativa, ainda temos um contingente tímido e que revela traços de uma economia pautada na tradição industrial: mão de obra essencialmente masculina nos mercados de tecnologia e inovação; média salarial das mulheres menor que a dos homens em todos os agrupamentos.

O estudo descreve que a economia criativa está organizada em quatro grupos, que por sua ver se desdobram em treze subgrupos: mídia (produção editorial, audiovisual e música), cultura (patrimônio cultural, atividades artísticas e gastronomia, tecnologia e inovação (software e conhecimento), e criações funcionais (arquitetura, publicidade, moda, design e móveis).

O agrupamento foi baseado nas definições da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e seguem as recomendações da UNESCO de adaptação à realidade de cada país. A principal fonte de dados é a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, analisada a partir de cruzamento com uma seleção de 166 CNAEs (Classificação Nacional das Atividades Econômicas).

Segundo o presidente executivo da Associação P7 Criativo, Leonardo Guerra, além de permitir o melhor entendimento do setor, o olhar macro e quantitativo servirá para definir planos de fomento e políticas públicas.

Ranking das cidades

Com relação à distribuição regional, os dez municípios mineiros que concentram a maior quantidade de empregos da economia criativa são Belo Horizonte (22%), Juiz de Fora (4,1%), Uberlândia (4,1%), Contagem (3,44%), Nova Serrana (2,10%), Ubá (2,05%), Uberaba (1,83%), Divinópolis (1,62%), Nova Lima (1,51%) e Montes Claros (1,48%).

R$ 788 milhões

É a estimativa da renda mensal dos trabalhadores da economia criativa em Minas Gerais. Destacam-se os grupos cultura (43,19%), criações funcionais (24,8%) e tecnologia e inovação” (24,7%).

R$ 1.721,30

É a média salarial, composta por criações funcionais (R$ 1.409,46), cultura (R$ 1.377,78), mídia (R$ 2.095,25) e tecnologia e inovação (R$ 4.366,66) – esse último grupo é o único com remuneração média superior à da economia brasileira como um todo.

Impacto do setor industrial

O estudo mostra que 28,38% das CNAEs da economia criativa estão relacionadas a atividades econômicas industriais. Além disso, aponta uma relação de interdependência entre a criação, a inovação e a indústria, pois quase 48% dos empregos criativos formais são gerados por empresas industriais, ainda que de pequeno porte.

Um ano de P7 Criativo

As atividades do P7 foram iniciadas, em fase piloto, na avenida Afonso Pena 4.000, em Belo Horizonte. Nesse período inicial, 82% das estações de trabalho disponibilizadas já foram ocupadas, e mais de 70 eventos foram realizados no espaço com participação de mais de mil pessoas. A sede definitiva ocupará o antigo prédio do Banco Mineiro da Produção, um projeto de Niemeyer na Praça Sete: 25 andares e 17 mil metros quadrados para novos negócios, atividades de fomento e capacitação. A inauguração está prevista para 2019.

*Conteúdo da coluna Fora da Caixa, veiculado todo sábado na edição impressa do jornal Estado de Minas. Confira também os canais de vídeopodcast e instagram.

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