Economia circular auxilia negócios e meio ambiente

Economia circular: menos extração de recursos naturais, mais negócios

(Por Paola Carvalho*) – Migrar de uma economia linear, à base do paradigma “extrair-transformar-descartar”, para uma economia circular, que maximiza o uso dos recursos existentes, é uma necessidade no país. E uma oportunidade de não apenas mitigar impactos ambientais (essa uma obrigação, sem dúvida), como também de gerar negócios a partir de novos processos e produtos, alavancando desenvolvimento econômico.

Um relatório da Circle Economy, grupo apoiado pela ONU Meio Ambiente, um braço das Organizações das Nações Unidas, aponta que apenas 9% da economia global é circular. Significa que o planeta reutiliza menos de 10% das 92,8 bilhões de toneladas de minerais, combustíveis fósseis, metais e biomassa usados todos os anos em processos produtivos.

O uso global de materiais está crescendo. Mais do que triplicou desde 1970 e poderia dobrar novamente até 2050, caso não forem tomadas ações para conter o fenômeno, de acordo com o Painel Internacional de Recursos da ONU.

Economia circular e as mudanças climáticas

Uma economia circular é um sistema regenerador. Nele, o consumo de recursos, os resíduos, as emissões e a perda de energia são minimizados pela desaceleração e pelo encurtamento de ciclos de produção. Esse modelo pode ser alcançado por práticas de manutenção, reparo, reutilização, remanufatura, reciclagem, design de longa duração e reformas.

As mudanças climáticas e o uso de matérias-primas estão estritamente ligados. A Circle Economy calcula que 62% das emissões de gases do efeito estufa (excluindo-se as emissões geradas pelo uso da terra e pela silvicultura) são liberadas na atmosfera durante a extração, processamento e fabricação de bens para atender às necessidades da sociedade. Apenas 38% das emissões são dispersas na entrega e no uso dos produtos e serviços.

O presidente da Circle Economy, Harald Friedl, destacou que as estratégias para as mudanças climáticas de governos focam em energia renovável, em eficiência energética e em evitar o desmatamento, mas elas ignoraram o vasto potencial da economia circular.

“Eles deveriam reprojetar as cadeias de suprimentos lá atrás, nos poços, campos, minas e pedreiras, onde está a origem dos nossos recursos, de modo que nós consumamos menos matérias-primas. Isso não apenas reduzirá emissões, como também impulsionará o crescimento, tornando as economias mais eficientes.”

*Conteúdo da coluna Fora da Caixa, veiculado todo sábado na edição impressa do jornal Estado de Minas. Confira também os canais de vídeopodcast e instagram.

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