Rota da Seda do século 21: maior projeto de infra-estrutura do mundo

Rota da Seda do século 21: maior projeto de infra-estrutura do mundo

(Por Paola Carvalho*) – A Belt and Road Initiative (BRI), que prevê uma mega conexão de portos, ferrovias, estradas e aeroportos para alavancar negócios da China com a Ásia, Europa, Oriente Médio e África, é possivelmente o mais ambicioso programa econômico e diplomático desde a fundação da República Popular (1949), segundo documento divulgado pela consultoria McKinsey & Company. Atingiria, 65% da população mundial, cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) e um quarto de todos os bens e serviços movidos pelos cinco continentes – o que transformaria o comércio mundial.

A iniciativa é dividida em duas partes principais. Uma chamada de “Cinturão Econômico” (Belt), formada por uma série de corredores terrestres que ligam a China à Europa, via Ásia Central e Oriente Médio. A outra é a “Rota da Seda do Século XXI” (Road), uma rota marítima que liga a costa sul da China ao leste da África e Mediterrâneo.

O plano de criar uma zona internacional composta por 65 países com epicentro em Pequim, a capital chinesa, foi apresentado entre as melhores ideias do Global Infrastructure Initiative Summit 2017, realizado pela McKinsey & Company, em Singapura. E vem avançando.

Como maior exportador mundial e segunda maior fonte de investimento estrangeiro direto, a China tem muito a ganhar incentivando mercados a permanecerem abertos. E uma opção é aumentar os seus gastos em infraestrutura no exterior.

“Quando se fala com um empresário que tem interesse em investir fora da China, ou com uma entidade do governo, a BRI é o pano de fundo em todos estes diálogos”, afirmou Felipe Küster, gestor de projetos e relações internacionais do escritório Küster Machado Advogados Associados, que fincou pé em Pequim, após o anúncio da Belt and Road Initiative, com a intenção de intermediar negócios de clientes em território chinês, bem como identificar sinergias entre a China e o Brasil.

Para ele a implantação da Rota da Seda moderna é um programa da China para liderar o mapa global. “Não é questão de como, mas de quando”, disse.

Veja abaixo sete perguntas e respostas para conhecer mais sobre a possível maior plataforma global de cooperação econômica.

1
O que é a Belt and Road Initiative (BRI)?

É uma ambiciosa campanha de bilhões de dólares de desenvolvimento da China, que quer impulsionar o comércio e estimular o crescimento econômico em toda a Ásia e além por meio de uma infraestrutura que conectará países ao redor do mundo. Há, por exemplo, planos para oleodutos, um porto no Sri Lanka, fábricas e parques eólicos no Paquistão, pontes em Bangladesh, ferrovias para a Rússia. O governo chinês acredita ser a “nova era da globalização”, conforme publicação no jornal The Guardian.

2
Quando foi lançado?

Em setembro de 2013, quando o presidente chinês Xi Jinping, usou um discurso em uma universidade do Cazaquistão para pedir a criação de um “Cinturão Econômico da Rota da Seda”. Posteriormente o projeto foi ampliado e ganhou o nome Belt and Road Initiative.

3
Por que é tão importante para a China?

Trata-se de um plano econômico destinado a abrir e criar novos mercados para produtos e tecnologia chinesa em um momento em que a economia desacelera. Seria importante, por exemplo, para ajudar a exportar o excesso de capacidade de produção de ação e cimento, transferindo fábricas para países menos desenvolvidos. De um outro lado, há quem considere uma jogada geopolítica para aumentar a influência regional da China em um momento em que os Estados Unidos de Donald Trump parecem se afastar da Ásia.

4
É factível?

Muitas dúvidas pairam sobre a origem dos recursos, as possibilidades de financiamento e a participação de fundos de investimentos internacionais. Enquanto alguns têm reservas sobre se a China pode entregar a BRI de forma justa e transparente, a transformação econômica chinesa nos últimos 35 anos dá um sinal sobre a sua capacidade de administrar a iniciativa. De 1992 a 2013, a China investiu mais em sua infraestrutura econômica – transporte, água, energia e sistemas de telecomunicações – do que a América do Norte e a Europa Ocidental juntas – uma média de 8,6% de seu PIB anual.

5
Qual é a percepção de outros países?

Há uma mistura de excitação e cautela. A Índia, por exemplo, suspeita que o projeto seja uma cortina de fumaça que a China usa para assumir o controle estratégico do Oceano Índico. Lideranças mundiais já recusaram a participação em encontros com o presidente chinês Xi Jinpimg, como a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente dos EUA Donald Trump. Por outro lado, o presidente russo Vladimir Putin, o primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan comemoram a “nova era da globalização”.

6
Como o Brasil se movimenta a respeito?

Empresas brasileiras da área de infraestrutura têm condições de desembarcar em pontos do cinturão e da nova Rota da Seda atuando em sua construção ou se beneficiando dela. Assim como empresas chinesas têm interesse de vir ao Brasil para, além de criar infraestrutura para escoar produtos para o país, investir em setores estratégicos que poderiam suprir demandas chinesas, como matéria-prima e alimentos.

7
Já é possível perceber o avanço chinês sobre o Brasil?

Vale destacar, por exemplo, que no fim do ano passado a estatal Chinesa China Merchants Port Holding (CMPorts) anunciou a compra de 90% do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e a empresa de serviços logísticos TCP Log por US$ 925 milhões. Hoje está nas mãos da China o terceiro maior terminal de contêineres do Brasil, atrás apenas de Santos Brasil e Brasil Terminal Portuário (BTP), ambos no Porto de Santos. Em comunicado ao mercado, a China Merchants informou que “a entrada na América Latina, especialmente no Brasil, é crucial para a expansão global se sua rede de terminais”. A gigante chinesa possui operações na Ásia e detém, ainda, terminais de contêineres nos Estados Unidos, África e Europa.

Conteúdo produzido por Paola Carvalho para o site Infra em Movimento, do Grupo CCR.

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