Sobre unicórnios, táxis e confiança - Blank Space

Sobre unicórnios, táxis e confiança

Poderia ser apenas um ser mitológico, lembrando um cavalo branco com um único chifre em espiral e imagem associada à força. Mas unicórnios também são hoje startups (empresas de base tecnológica com produto escalável) com valor estimado em mais de 1 bilhão de dólares. Nesta semana, o Brasil ganhou o seu primeiro unicórnio. A chinesa DiDi Chuxing, empresa de aplicativos de transporte, comprou o controle da brasileira 99. A aquisição teria sido fechada por cerca de 960 milhões de dólares. A chinesa já havia comprado no ano passado uma participação minoritária por 100 milhões de dólares. E antes disso, a 99 recebeu investimentos de importantes fundos, como Monashees, Tiger Global e Qualcomm Ventures. Outras duas startups brasileiras são cogitadas para se tornarem unicórnios: Movile e Nubank.

A DiDi começou como um aplicativo de táxis na China e agora também oferece transporte com carros particulares e ônibus compartilhados, além de aluguel de veículos. Em agosto passado, comprou o controle da operação chinesa da Uber. Em dezembro, recebeu a injeção de 4 bilhões de dólares do Mubadala, um fundo estatal de Abu Dhabi, e da companhia japonesa Softbank. Essa última também já tinha investido na Uber, com a compra de uma participação de 17,5%, estimando que o empresa vale 48 bilhões de dólares.

 

 

Economia do compartilhamento – A concorrência entre os aplicativos de transporte, com investimentos de grandes empresas, está cada vez mais acirrada. Estamos falando aqui do fortalecimento da “sharing economy”, em crescimento exponencial. Não há uma única definição que todos concordem. Uns acreditam que é apenas uma forma de otimizar ativos existentes. Outros se pautam no comportamento de uma nova geração de consumidores, que está mais preocupada com o acesso do que posse, ou seja, mais em se locomover do que ter um carro na garagem. Para além do setor de transportes, podemos citar o Airbnb, o “maior hotel do mundo”: plataforma que conecta pessoas que querem oferecer um quarto ou sua casa para aqueles que querem se hospedar e ter uma experiência mais pessoal no seu destino.

Um outro conceito vem a reboque, o da “economia da confiança”. Se antes a sociedade acreditava mais em instituições, como governo, igreja e bancos, hoje essa confiança está nos outros, na maioria estranhos, em plataformas como o Airbnb e Uber. A comprovação está em pequenas ações do dia a dia, quando se lê as críticas de um produto antes de comprá-lo no e-commerce; faz transferência bancária para fechar uma compra via chat de rede social; chama um motorista pelo aplicativo sem conhecê-lo; marca um encontro no Tinder com alguém completamente desconhecido. Esse comportamento tem cada vez mais potencial de mudar a relação entre as pessoas e afetar um negócio.

Arcade City – E se você acha que 99, Uber, Cabify e outros aplicativos são o que se encontra de mais novo no mercado de transportes no Brasil e no mundo, já ouviu falar sobre a Arcade City? O aplicativo de compartilhamento de carona começou a engatinhar no fim do ano passado em São Paulo e no Rio de Janeiro. No novo modelo, o passageiro sinaliza no app qual corrida pretende fazer; motoristas enviam “propostas”; é possível conversar por chat para negociar livremente valores e formas de pagamento. Antes de confirmar a viagem, pode-se ainda ver o perfil de quem está ao volante e consultar recomendações de quem já passou pela experiência com ele. O motorista também tem essas informações em relação ao passageiro. Outro ponto interessante: os motoristas podem criar grupos que ajudem a gerar credibilidade nos mais diversos recortes, como só carros de luxo, só motoristas mulheres e por aí vai. Vivemos ou não a era do acesso, da confiança, da conveniência, do senso de comunidade?

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