Serendipidade - Blank Space

Serendipidade

A palavra original vem da língua inglesa: serendipity. Dentro do ecossistema da economia criativa e inovação, o termo é cada vez mais pronunciado e foi aportuguesado: serendipidade. E o que significa? Descobertas ao acaso que geram um resultado inesperado. O conceito, entretanto, não é tão simples como parece, tem diferentes entendimentos e usos.

Serendipismo foi muito usado em sua origem. A palavra foi criada pelo escritor britânico Horace Walpole, em 1754, a partir do conto persa infantil Os três príncipes de Serendip. É a história de três príncipes do antigo Ceilão, atualmente Sri Lanka, que viviam fazendo descobertas inesperadas, até mesmo para dilemas impensados, com resultados que eles nem poderiam imaginar. Uns concordam que o trio tinha capacidade de observação e sagacidade, mente aberta para múltiplas possibilidades. Outros interpretam que as descobertas eram acidentais, sorte, ou coincidências. A ciência, por exemplo, está repleta de casos. Onde uns veem abismo, outros enxergam uma ponte.

O uso da expressão foi retomado com o costume de navegarmos por hiperlinks em textos da internet, que nos levam a encontrar mais coisas do que procurávamos ao início. Serendipidade, aplicada à inovação, é também traduzida como uma visão empreendedora. Pode ser obtida em ambientes que favorecem a comunicação, que reúnem diferentes perfis e grupos distintos, que promovem conexões e reflexões. O resultado pode ser uma descoberta, um clic (Eureka!), uma contribuição para o sucesso de uma ideia, projeto ou negócio.

Uma das maiores referências no país é o Cubo, um coworking (local compartilhado de trabalho) patrocinado pelo banco Itaú e aberto há dois anos em São Paulo. Deu tão certo que está em andamento a sua quadruplicação. Vai passar de 5.324 para 20.753 metros quadrados, de 50 para 200 startups (empresa de base tecnológica com produto escalável), de 250 para 1.250 residentes, de 600 para 2.400 pessoas por dia. O diretor Flávio Pripas, em evento em Belo Horizonte, disse que a serendipidade pode ser natural ou provocada. Em sua opinião, embora Belo Horizonte tenha a comunidade de startups mais organizada do Brasil, a San Pedro Valley, não existe por aqui um pólo de densidade para trocas, mas sim uma série de iniciativas locais.

Claro que todas essas iniciativas são positivas. Como bons exemplos temos o Guaja (Av. Afonso Pena, 2881, Funcionários), também em processo de expansão, o Impact Hub (Getúlio Vargas, 1492, Savassi) e a Atmosphera (Alameda do Ingá, 16, Vale do Sereno), entre outros. Uma novidade é o Órbi Conecta, um espaço colaborativo que visa o fomento à inovação e ao empreendedorismo, na Av, Antônio Carlos, 681, Lagoinha. É uma iniciativa conjunta dos empreendedores da comunidade San Pedro Valley, em parceria com a Localiza, construtora MRV e banco Inter. Todos lugares que favorecem, e muito, a serendipidade.

 

Flávio Pripas (CUBO)

 

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