Novos produtos antigos - Blank Space

Novos produtos antigos

O hábito de garimpar peças e móveis antigos, que tenham identidade e valor afetivo, torna-se um negócio cada vez mais concreto em Belo Horizonte, seja em razão da busca pelo bom desenho, conforto e criatividade, da sustentabilidade ambiental, ou da conjugação desses dois propósitos. Afinal de contas, algo sem valor comercial, muitas vezes descartado em caçambas ou deixado num cantinho da casa, pode ser recuperado e muito bem aproveitado, ganhando lugar de prestígio em um ambiente decorado.

A transformação de mobiliários (especialmente, em Beagá, aqueles dos anos 1930 aos 1980, feitos a partir de madeiras de lei raras, além do industrial) tem um nome: upcycling. É um uma tendência mundial que está se ramificando em diferentes setores, da decoração à moda.

“Peças antigas de roupas são encontradas não mais só em brechós, como também em novas coleções inteiras, com direito a lançamentos em importantes museus de Londres e lugar cativo em vitrines de grifes daqui. O contemporâneo sustentável está revisitando o passado, na Inglaterra e em todo lugar. É uma tendência global”, afirma a belo-horizontina Ana Isabel Kunal, estudante do tema na London College of Fashion, universidade que há pelo menos três anos trabalha o conceito de upcycling em seus cursos de moda.

É diferente da reciclagem? Sim, pois uma peça ganha um novo uso, sem passar por processos químicos e físicos, o que torna a prática ainda mais positiva, do ponto de vista ecológico. Peças antigas recebem um novo ciclo de vida, sem destruir a sua forma.

Por aqui, o conceito é encontrado em lojas tradicionais, em novos endereços de coletivos de empreendedores, no trabalho de autônomos, a exemplo, respectivamente, da Pé Palito, Coletivo AU (foto) e Trapiche Vintage.

 

Loja Pé Palito

Pé Palito

Em um incessante garimpo de peças originais, a loja Pé Palito, desde 2010 reúne em seu acervo móveis e objetos dos maiores designers nacionais e internacionais do século XX. Entre eles, Zanine Caldas, Jorge Zalszupin e Lina Bo Bardi. “Na maioria das vezes compramos de famílias que estão se desfazendo da peça. E restauramos tentando manter o máximo da originalidade do produto, que obviamente vem carregado de histórias”, afirma o proprietário Lúcio Lourenzo.

Garimpo Criativo

Com a ideia de reunir móveis restaurados com design autoral, o Coletivo AU, criado em 2016 pelos arquitetos André Cota, Henrique Pirani, Daniel Corrêa e Mariana Falcão, começou em uma pequena loja da Rua do Ouro, na Serra. No mês passado, mudou-se para um casarão na mesma rua, agora no número 1428. O “upcycling criativo” exigiu mais espaço. Ali encontram-se móveis e objetos antigos, em seu uso original ou não, com linguagem contemporânea. “A re-interpretação dos itens passa pelo garimpo de peças inusitadas em locais variados da cidade, desde topa-tudo até ferro-velho e antiquários”, conta Corrêa.

Customizados

A marca Trapiche Vintage, do designer de produtos e colecionador Marcelo Herméto, encontrou nas feiras realizadas em ruas e estabelecimentos da cidade uma forma de apresentar o seu trabalho de garimpo de mobiliário e objetos de decoração antigos. Ele costuma visitar casas que estão prestes a ser demolidas (e não são poucas) para arrematar peças e customizá-las. Esporadicamente, promove oficinas para passar o seu conhecimento na área de marcenaria.

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