Detroit: de capital da indústria automotiva à agroecologia urbana?

Detroit: de capital da indústria automotiva à agroecologia urbana

 

A instalação da Fiat em Betim, em 1973, transformou a Região Metropolitana de Belo Horizonte no segundo maior pólo automotivo brasileiro, atrás apenas do ABC paulista. Passados 45 anos, quais serão as heranças deixadas por esse velho berço industrial? Antes disso, porém, por que falar em herança se a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é otimista quanto ao futuro e prevê para 2018 crescimento de 13,2% na produção brasileira (3,06 milhões de unidades) em relação ao ano passado? A revolução no uso dos meios de transportes, com a expansão dos serviços compartilhados e coletivos, e novas tecnologias embarcadas, a exemplo dos carros elétricos, são só alguns indícios. Portanto, temos muito a aprender com Detroit (EUA).

Considerada a gigante mundial das montadoras de carros em 1950, a cidade de Detroit passou de uma certeza promissora de 1,8 milhões de habitantes para uma ruína urbana. Devido a décadas de desinvestimentos e à fuga de capitais, oss cenários de fábricas fantasmas são comuns e a população despencou para menos de 700 mil pessoas. Os dados são da ativista Devita Davison, do Foodlab Detroit, um movimento que vem transformando o perfil dali. Segundo ela, há escassez de comércio, especialmente de comida fresca, deixando mais de 70% da população obesa ou acima do peso, o que tem provocado agora uma corrida pela alimentação saudável. Assim, a capital da indústria americana começou a se transformar em um paraíso agroecológico urbano, em um dos melhores exemplos de segurança alimentar e desenvolvimento sustentável do mundo.

Hoje são mais de 1,5 mil hortas e fazendas distribuídas por toda a cidade, onde as pessoas cultivam juntas, em comunidade. Pode-se observar na Oakland Avenue Farms, na Ala Norte de Detroit, hectares de arte, arquitetura, ecologia e novas práticas de mercado. No lado Oeste, 13 mil moradores formam o Brightmoor Farmway, onde prédios abandonados foram transformados em cozinhas comunitárias, restaurantes e pontos de venda de orgânicos. A Organização Não Governamental Keep Growing Detroit distribuiu 70 mil pacotes de sementes e 250 mil enxertos. Em um ano, foram cultivados 250 mil toneladas de produtos e movimentados 7,5 milhões de dólares. Estamos falando sobre como expandir oportunidades e prosperar em lugares onde normalmente não há tantas oportunidades assim.

 

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