Crise de confiança e dinheiro digital - Blank Space

Crise de confiança e dinheiro digital

“Você confia nas outras pessoas?” A pergunta faz parte de uma recente pesquisa mundial realizada pela consultoria Edelman. Nela, apenas 6,53% dos brasileiros responderam confiar no outro. O índice é bem inferior ao observado em outros países, como Estados Unidos (38%), Argentina (22%) e China, onde mais de 60% da população disse sim. O consultor Ben Boyd, da Edelman, disse ver no Brasil muita preocupação, uma vez que sete a cada dez disseram temer que a corrupção está levando o país a uma situação catastrófica. E achou no mínimo curioso o fato de que seis entre dez confiarem em empresas, mesmo diante dos escândalos em que elas também estão envolvidas.

A questão aqui, é importante frisar, não é desconfiar das instituições financeiras brasileiras. Mas se perguntar o motivo, em meio a esse cenário de uma crise nacional de confiança, para não acreditar no surgimento do blockchain e criptomoedas como uma alternativa às movimentações financeiras.

Blockchain é uma tecnologia de registro público de todas as transações feitas por moedas eletrônicas (criptografadas, com registro público, porém anônimo), como a Bitcoin, a primeira delas e a mais famosa. Os “blocks” são onde os arquivos de dados são armazenados de maneira permanente e imutável conforme a ordem cronológica.

É considerado seguro porque cada elo da cadeia possui uma cópia fidedigna das transações e participa ativamente do processo de validação de um novo registro incluído na rede. Se os algoritmos de diferentes blocos confirmarem a autenticidade de uma transação, ela é validada. Em instantes, claro. A sua identificação é feita por números e letras e não pelo seu nome e CPF; e todas as transações podem ser vistas por qualquer pessoa.

Além da transparência, entre outras vantagens podemos citar a descentralização (conceito de cópias distribuídas reduz as chances de fraudes e elas ficam menos suscetíveis a ataques cibernéticos), a desburocratização e a redução de custos operacionais.

Sim, ainda é um universo de difícil compreensão e com riscos. Entretanto, um estudo da World Economic Forum estima que, em 2027, cerca de 10% do Produto Interno Bruto Global já estará em blockchain.

Estamos falando do futuro? E que tudo isso vai demorar chegar por aqui? Pois é… em Belo Horizonte, uma escola já aceita o pagamento de seus cursos com criptomoedas, um grupo criado há três anos se reúne uma vez por semana para discutir as operações que realizam, ativistas do Women In Blockchain promovem workshops, startups ensaiam passos para criar a sua própria moeda eletrônica. Está mais perto do que a gente pode imaginar.

 

jimi-filipovski-unsplash

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