Cinema, mulheres e a sua empresa - Blank Space

Cinema, mulheres e a sua empresa

Ainda ecoa o discurso da atriz e apresentadora Oprah Winfrey, após ganhar no último domingo (7) um prêmio do Globo de Ouro 2018. Em um potente discurso, ela falou sobre racismo e a força das mulheres. Mais de 300 atrizes, roteiristas, diretoras, agentes e outras executivas da indústria do entretenimento se vestiram de preto como parte de um movimento para enfrentar a generalização do assédio sexual em Hollywood. É uma causa, entretanto, que não deve se restringir ao cinema e muito menos a famosos. A discriminação de gênero acontece no mundo dos negócios, na rotina de uma empresa.

Segundo dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres, ligada ao governo federal, do total de registros feitos pelo Disque 180, 6% se referem a casos de assédio sexual no trabalho. Não é pouco. E é bom pontuar que uma a cada três mulheres sente que não há garantia de sigilo e proteção para denunciar casos de assédio, ofensa, ou situações de desigualdade de gênero nas empresas em que trabalham, de acordo com levantamento da consultoria Tree. Mais da metade dos entrevistados disseram que já viram colegas – homens e mulheres – serem prejudicados por questões ligadas a gênero e sexualidade.

A igualdade de gênero é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e adotados por 193 países-membros, inclusive o Brasil. Em 2017, o país caiu nove posições no Índice Global de Desigualdade de Gênero, criado pelo Fórum Econômico Mundial, e ficou em 90º lugar.

 

Movimento #MeToo: contra o assédio sexual

 

O feminismo traz demandas de movimentos passados e outras inerentes ao universo da nova economia. Algumas expressões vêm traduzindo essa problemática. É bom se inteirar e, mais do que isso, ser empático para provocar mudanças. A Organização Não Governamental (ONG) Think Olga cunhou explicações sobre quatro tipos de machismo “invisíveis”:

> Manterrupting: Na tradução livre significa homens que interrompem. É quando uma mulher não consegue concluir sua frase porque é constantemente interrompida pelos homens ao redor.

> Bropriating: O termo é uma junção de bro (curto para brother, irmão, mano) e appropriating (apropriação). Quando em uma reunião, por exemplo, a mulher coloca uma ideia e não é ouvida. E então um homem assume a palavra, repete o que ela disse e é aplaudido por isso.

> Mansplaining: Junção de man (homem) e explaining (explicar). Quando um homem dedica seu tempo para explicar algo óbvio à mulher, como se ela não fosse capaz de compreender.

> Gaslighting: O termo surgiu por causa de um filme de mesmo nome, de 1944, em que um homem descobre que pode tomar a fortuna de sua mulher se ela for internada como doente mental. É uma violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a mulher e todos ao seu redor acharem que ela é incapaz.

 

* Texto publicado na coluna Fora da Caixa, na editoria de Economia do jornal Estado de Minas. Todos os sábados nas bancas. 

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